quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Miguel, o milagre!

No segundo dia de vida, ele já não precisou mais de sonda pra fazer xixi e teve que fazer um cateter, já que as veias se perdiam fácil demais e ficar furando ele toda hora não era uma boa idéia. Teve que ficar com o bracinho enfaixado porque no movimento que Dr. Luís fez pra desenroscá-lo da minha bacia, a sua clavícula quebrou. Ele foi progredindo aos pouquinhos, a cada dia aumentavam a dose de leite e eu conseguia tirar mais, tava me sentindo A mimosa de tanto leite que tinha.
Só vimos Miguel de olhos abertos com 6 dias de vida, antes ele ficava sempre de olhinhos fechados ou abria de leve e fechava. No 8º dia de vida, Miguel foi extubado! Foi um alivio vê-lo sem aquele tubo horroroso. No dia 18/10, foi feito outro eletroencefalograma e pasmem: deu normal! Fiquei tão feliz que tive que me controlar para não pular de felicidade na UTI. Mais outro no dia 25/10 só pra garantir: normal de novo! Dra. Cris viu a felicidade nos meus olhos. Deus nos ouviu e nos abençoou! Até a médica que fez os exames disse isso, “Miguel, o milagre”.
Só pude pegá-lo no colo com 10 dias de vida, eu tremi feito bambu no vendaval, ele era/é tão lindo! Foram suspensos todos os remédios e no dia seguinte ele iria da UTI pra Semi Intensiva. Com 11 dias já estava usando roupinha, mas eu ainda não tinha começado a amamentar, então ele ainda estava com a sondinha no nariz. Com 12 dias eu amamentei, me senti tão bem, era uma sensação tão gostosa, era o nosso momento. Eu e ele, sem interferências. Com 15 dias, tiraram a sonda do nariz, eu ia amamentá-lo de dia e a noite davam leite pra ele na mamadeira. Com 16 dias eu comecei a trocar as fraldas e ficava lá praticamente o dia inteiro.
Com 19 dias eu tava querendo quebrar a cara do Dr. Lucio porque tava de frescurinha na bunda porque não queria mandar o Miguel pra casa, só por causa de míseras 30 gramas. Mas com 20 dias, Dra. Ana e Dra. Margarete resolveram nos dar alta. Viva!!! Foi o dia mais feliz da minha vida! Mans quando chegamos em casa, mal sabíamos que começaríamos uma saga, a amamentação...

A fé provada.

Como eu disse no post anterior, Miguel nasceu com enrolado no pescoço e teve que ir para o berçário patológico. Todos nós pensávamos que era só um desconforto e que logo eu iria vê-lo e pegá-lo no colo. Ledo engano.

Enquanto eu estava lá pronta pra dançar conga La conga (eu saí tão bem do centro obstétrico que nem parecia que tinha acabado de parir), Filipe e Soraia chegam ao meu quarto com as piores caras do mundo. Meu bebê convulsionou nos primeiros 30 minutos de vida. Perdi o chão, entrei em desespero, comecei a chorar desesperadamente, não sei explicar o que aconteceu comigo. Prepararam uma dose de remédio pra ele não convulsionar mais, mas não deu certo. 4 horas depois ele convulsionou de novo, aí entraram com o Fenobarbital (nome chique pro Gardenal). Assim, ele estabilizou.

A pediatra entrou no quarto dizendo que o bebê não corria risco de vida, mas poderia ficar com seqüelas (ou não). Todos nós choramos, já havia passado o horário de visita e a Soraia e o Filipe ainda estavam lá, eram expulsos e voltavam, até que as enfermeiras viram nosso desespero e pararam de insistir. Naquela noite, depois que ela saiu, Soraia, Filipe, minha mãe e eu demos as mãos e começamos a orar. Estávamos passando por uma prova, Deus queria nos ouvir. Depois disso, eles tiveram que ir embora mesmo, e fiquei lá com a minha mãe, não consegui dormir de jeito nenhum, só pensava nele. Ligamos pra minha avó, ela orou também. Muita gente clamou por ele!

No dia seguinte fui vê-lo, tão lindo, um bebê enorme, 3,295kg, 49cm, bem cabeludo e bem branquinho. Estava entubado, com uma sonda pra fazer xixi e dopado. Mas mesmo assim, quando cheguei perto dele, ele conseguiu segurar meu dedo, nessa hora eu tremi. Durante os dias em que fiquei internada, ia vê-lo nos três horários de visita: 11h30, 14h30 e 20h30. Tão lindo o meu bebê!

Meu sonho era amamentá-lo ainda na sala do parto, mas não foi possível. Miguel só começou a tomar leite (e pela sonda) no terceiro dia de vida. E por coincidência, só tive colostro no terceiro dia de vida dele. Ia vê-lo todos os dias e tirava leite, quando voltava pra casa, anotava em um papel os seus progressos. Ele teve que fazer alguns exames, USG do crânio (que foi normal), um ecocardiograma e Eletroencefalograma que deu alterado, compatível com encefalopatia grau IV. Eu não sabia muito bem o que significava, tive medo de perguntar, entrei em desespero, mas tive muita fé! E foram longos 20 dias nessa luta. Mas depois desse eletroencefalograma, o milagre... Que eu conto no próximo post!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O parto.

09/10/11. Acordei bem, ajudei minha mãe em alguns afazeres domésticos e até então, tinha certeza que Miguel só nasceria dia 15/10, pois já havia marcado a cesariana (morria de medo de parto normal). Minha prima veio almoçar com a gente e estávamos conversando, rindo e eu estava indo fazer xixi de 10 em 10 minutos, o que pra mim era normal, já que estava com 38 semanas. Mesmo assim, minha prima me pediu pra arrumar a mala da maternidade (é, eu não tinha arrumado ainda, só porque o parto seria na próxima semana). Pois bem, arrumei, almoçamos e em uma das minhas idas ao banheiro, percebi uma sujeirinha no xixi, já fui correndo contar pra elas. Ela disse que sujeirinha era normal, o que não poderia era sair sangue. Ok.

Lá pra umas 15h, meu noivo chegou e assistimos “Hermanoteu na Terra de Godah”. Assistimos e eu ri muito, mas tava incomodada com umas pontadinhas que nunca tinha sentido. Umas 17h as dores foram ficando mais intensas, então chamei minha mãe que estava dormindo. Teríamos que ir pro hospital urgente! Por puro azar, meu pai estava viajando, então tivemos que ligar pro meu primo que mora em outro bairro pra me levar. Foi o tempo de tomar um banho rápido e ele chegou. A Dutra estava praticamente parada e logo nós ficamos com medo de que eu entrasse em trabalho de parto no carro do meu primo.

Mas enfim, chegamos ao hospital. Abriram minha ficha e eu subi pro 4º andar, consegui subir de elevador sem precisar de cadeira de rodas. Fui pra uma salinha-que-esqueci-o-nome pro Dr. Sidnei (ele não era meu GO, só o médico de plantão) me examinar, já estava com 7 cm de dilatação! Comecei a entrar em desespero, não queria um parto normal de jeito nenhum, morria de medo do bebê ficar preso, algo do tipo, mas enfim, já não dava mais pra ser uma cesariana. Foram ligar pro meu médico, coitado, domingo+noite+chuva = transito. Ele demorou um tempo pra chegar, pra mim parecia uma eternidade. Fui pro pré-parto de cadeira de rodas e meu noivo que até então não queria assistir o parto, mudou de idéia e disse que iria. Fiquei deitada naquela maca me contorcendo de dor e meu médico nunca que chegava, a médica de plantão já estava se preparando quando enfim, Dr. Luís chegou. Amém.

Óbvio que não dava mais pra ser uma cesariana, então eu fui pro CO e lá estavam duas enfermeiras, o anestesista, uma pediatra e ele. Tomei a tal da ráqui só pra relaxar o colo do útero, mas eu não senti nada. Tive que sentar "feito índio" e só senti a picadinha, o que mais doeu foi o soro. Comecei a entrar em trabalho de parto e daí chamaram meu noivo.

Já dava pra ver a cabeça do Miguel, Dr. Luís e Filipe me pediam pra fazer força que estava quase lá, Filipe fazendo carinho em mim (se eu segurasse sua mão, iria quebrá-la) e eu ficando roxa. E o que eu temia aconteceu: Miguel ficou com o ombro preso na minha bacia. E em um movimento circular que o médico fez para solta-lo, o cordão que já estava enrolado no pescoço (ninguém sabia), apertou. Meu bebê nasceu roxo, eu não o vi, Filipe viu. Ele não chorou, eu chorei, chorei muito! Enquanto Dr. Luís me dava os pontos, eu chorava chorava chorava e o Filipe tentava me consolar, disse que ele iria ficar bem. Lááá do fundo eu ouvi o chorinho dele, tão lindo!

Enquanto estava na sala do pós-parto, ele passou por mim, vermelhinho de olhinhos abertos, a coisa mais linda que eu já vi no mundo! Mas de lá, ele foi pro berçário patológico e de lá não vieram boas notícias... Mas isso fica pro próximo post.