quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A fé provada.

Como eu disse no post anterior, Miguel nasceu com enrolado no pescoço e teve que ir para o berçário patológico. Todos nós pensávamos que era só um desconforto e que logo eu iria vê-lo e pegá-lo no colo. Ledo engano.

Enquanto eu estava lá pronta pra dançar conga La conga (eu saí tão bem do centro obstétrico que nem parecia que tinha acabado de parir), Filipe e Soraia chegam ao meu quarto com as piores caras do mundo. Meu bebê convulsionou nos primeiros 30 minutos de vida. Perdi o chão, entrei em desespero, comecei a chorar desesperadamente, não sei explicar o que aconteceu comigo. Prepararam uma dose de remédio pra ele não convulsionar mais, mas não deu certo. 4 horas depois ele convulsionou de novo, aí entraram com o Fenobarbital (nome chique pro Gardenal). Assim, ele estabilizou.

A pediatra entrou no quarto dizendo que o bebê não corria risco de vida, mas poderia ficar com seqüelas (ou não). Todos nós choramos, já havia passado o horário de visita e a Soraia e o Filipe ainda estavam lá, eram expulsos e voltavam, até que as enfermeiras viram nosso desespero e pararam de insistir. Naquela noite, depois que ela saiu, Soraia, Filipe, minha mãe e eu demos as mãos e começamos a orar. Estávamos passando por uma prova, Deus queria nos ouvir. Depois disso, eles tiveram que ir embora mesmo, e fiquei lá com a minha mãe, não consegui dormir de jeito nenhum, só pensava nele. Ligamos pra minha avó, ela orou também. Muita gente clamou por ele!

No dia seguinte fui vê-lo, tão lindo, um bebê enorme, 3,295kg, 49cm, bem cabeludo e bem branquinho. Estava entubado, com uma sonda pra fazer xixi e dopado. Mas mesmo assim, quando cheguei perto dele, ele conseguiu segurar meu dedo, nessa hora eu tremi. Durante os dias em que fiquei internada, ia vê-lo nos três horários de visita: 11h30, 14h30 e 20h30. Tão lindo o meu bebê!

Meu sonho era amamentá-lo ainda na sala do parto, mas não foi possível. Miguel só começou a tomar leite (e pela sonda) no terceiro dia de vida. E por coincidência, só tive colostro no terceiro dia de vida dele. Ia vê-lo todos os dias e tirava leite, quando voltava pra casa, anotava em um papel os seus progressos. Ele teve que fazer alguns exames, USG do crânio (que foi normal), um ecocardiograma e Eletroencefalograma que deu alterado, compatível com encefalopatia grau IV. Eu não sabia muito bem o que significava, tive medo de perguntar, entrei em desespero, mas tive muita fé! E foram longos 20 dias nessa luta. Mas depois desse eletroencefalograma, o milagre... Que eu conto no próximo post!

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